Não sei que te diga
Não sei que me faça!
Não sei se nos aconteça...
Agora?
Agora foge!
Foge antes que aconteça.
Antes que nos aconteçam aquelas coisas.
Coisas que nunca mais repetiremos
Fazíamos coisas...
Lembras-te?
Falamos coisas que sentíamos na pele em toda sua força.
Brincávamos em gestos inocentes.
Perguntávamos em jeito de conspiração. "-Vens?"
A pele, marcada de essências queria rasgar-se.
Mas nenhum de nós queria pegar na faca…
Seria canibalismo!
Trincar. Trincávamo-nos.
Preferíamos essas subtilezas e adiar a transpiração...
Fazíamos coisas...
Essas coisas que antes de serem feitas já tu as sentias.
O vento secava-te a boca e os olhos mantinham-se fechados. Até quando?
O tempo não tinha lógica nem métrica. Passava como passam as lembranças. As lembranças daquela superfície que fugimos.
Agora?
Agora FOGE!... Sem ordem, sem lógica, sem coerência.
Sem movimento, nem tacto, sem rotina, nem suor, sem lágrimas, nem gritos.
Foge para um lugar
Foge para um lugar imutável, sereno como outro banco de jardim qualquer.
O tempo? … Esse velho nunca lá se sentou.
O banco? … Gasto pela arrogância dos naipes
Esperava que alguém lhe trouxesse de novo a cor vermelha
Vermelha apenas.
Não sei que te diga...
by Aquele que adora ser censurado